Céu

Eu
que não sei o dia de amanhã
que presto atenção ao que quase ninguém dá importância
que não consigo deixar de ver moradores, crianças, velhos e pássaros em gaiolas quando ando nas ruas das cidades

Eu que enxergo pedras misturadas com asfalto e desleixo
e gatos embaixo dos carros nos observando
enquanto vou pisando
minhas sandálias velhas no Humaitá

Eu que acho tão subversivo a gente ser como a gente realmente é

As vezes
quero
ser
apenas
um sonho
de 52 anos
nu
da
cintura pra cima
andando de
bermuda em direção ao mar

Com apenas um brinco,
uma aliança,
duas fitas do Bonfim velhas e misturadas,
um celular no silencioso
e uma camisa quase caindo da mão
diante da beleza
de Mont Serrat...

Eu
que coleciono céus

Hoje
abri os olhos e vi em você
atemporal e linda
a outra asa
para o meu salto além desse véu
que nos vendem todo dia
os que não querem nos ver acordar.

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