Dor

E a morte pega a surpresa no meio das compras do supermercado
e lhe fala da fragilidade
humana

Com estranha naturalidade
diz que contra ela
não conta
o contexto
as vontades
ou os argumentos

Mas conta o amor

O amor a ultrapassa
o amor é ultrapassador
a luta é eterna
mas ela não o alcança

O tempo também faz compras
e passa entre elas

A morte se despede
segue sozinha pelo corredor
empurrando devagar o carrinho
coletando caminhos
pensando na vida

Quem diria

A morte também sente dor.

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